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Contos de vampiro I




Não é como se fosse realmente fazer sentido. Por que na verdade, não faz. E eu não sou do tipo que simplesmente espera que faça. Não posso me controlar nas penumbras, me esgueirar entre as sombras. Não para sempre, e mesmo que o para sempre não represente muito para quem eu sou, cada segundo perdido tentando fugir de algo que eu sei que irá me atingir é perdido.
 Isso dói, tanto, tanto e tanto. E mesmo que todas as doses de morfina fossem ejetadas na minha veia, bem... Eu continuaria a sentir uma dor horrível. Sou tão fraca, tão vulnerável. E condenada para viver para sempre.
Mas já que vou me entregar para a infelicidade de uma vida sem fio, onde a linha da minha vida é infinita, que eu me arrisque. Mesmo que eu arrisque minha eternidade, para garanti-la a outro. Por que ai eu vou saber que valeu a pena. E nada poderá desmanchar meu sorriso de trunfo.
 Arranquei a estaca que estava cravada fundo no meu peito. Dói, lágrimas rolam pelo meu rosto. Mas não por que tenho um órgão dilacerado dentro de mim. E sim por que tenho que me esforçar até os últimos segundos para que uma dessas não termine com a vida de quem me deu uma.
 Forço minhas pernas a fazer um esforço extremo, por que nem os olhos abertos consigo manter mais. É simplesmente demais para mim, mas não para Marco. Está tudo fora de foco, mas eu sei que aquela estaca de madeira não seria o suficiente para me machucar, havia algo que em sua essência me fazia muito mal. Algum veneno algo assim.
 Com a visão turba, sai tateando as paredes me esforçando para dar cada passo dolorido. Meu corpo se deixando levar pelo cansaço. O tempo parecia ter se transformado em algo pastoso, tudo tão lento, embaçado, confuso... Eu acho que... Eu acho... Eu...






Tumblr-isses



 Se você olhar bem, você enxerga a beleza. E o tal do algo a mais






Sabe o que é juntar razão e emoção num mesmo frasquinho?
 Essa figura fria, escrota e que te mandar ir para o inferno. Mas que por dentro quer te encher de carinho, mostrar seu lado fofo e te puxar pra mais perto.
 É explosivo, e às vezes explode por dentro e acaba afastando você. Mas vem cá, quero sentir seu coração bater.



Tem certas coisas que você conhece como a palma da sua mão. Outras não, pois é. Tipo o amor e garotos.





Talvez eu precise sonhar um pouco, um pouco de magia e ‘feliz para sempre’ não faz mal.
(Boa Noite)


Quando você partir
Não pense que vou tentar fazê-la ficar
E talvez quando você voltar
Eu terei saido para encontrar outro caminho
(I don’t love you, My Chemical Romance)


Não importa quantas vezes eu morra, eu nunca esquecerei
Não importa quantas vidas eu viva, eu nunca me arrependerei
Há um fogo por dentro desse coração
Em um tumulto prestes a explodir em chamas
Hurricane, 30 Seconds to Mars.

‘Você é tão grande quanto seu coração lhe deixar ser, e você é tão pequeno quanto o mundo lhe fizer parecer’. ( On The Brightside,  Never Shout Never)


Segue lá no Tumblr!





Tem Tumblr? Deixa aí!

Salvem as vacas! E as galinhas também...

Raphaele Caixeta, 14 anos, 2° ano do ensino médio, vegetariana há 1 ano de dois meses, no sanduiche só hambúrguer de soja, o misto? Nem tão quente, fora o presunto! Cachorro quente só sem salsicha...
 Essa é a vida que levo, e tenho que acrescentar, muito bem! Não dispenso um aborto de galinha (ovo), como diz minha amiga, e não sei se estou “pronta” para dizer adeus a ovos, leite, chocolate, manteiga e olá ao Chistofer Drew que é Vegan.
 Tenho vários motivos para ser o que sou, quer dizer Veggie e tudo, e não é só pelo fato de não me imaginar comendo minha cadela (como minha amiga sempre insiste em afirmar). Na verdade tenho milhões de motivos. Um deles é que não suporto mal trato com os animais, e vamos combinar que quando eles vão ser abatidos ninguém se preocupa em poupa-los de alguma dor. Uma coisa que odeio e espero que ninguém nunca mais me questione é: Mais você é só uma que não come em meio a tantos. Cadê aquela frase clichê: Seja você mesmo. Agora tenho que mudar meus hábitos para me igualar ao resto? Não vou ficar aqui dizendo em como é desumano, e que como contribuiria para o meio ambiente se a produção de vacas diminuísse.
Esse post foi só para mostrar um outro lado meu...




Querida, a vida não é um tribunal, você muito menos a Juíza

Eu realmente não faço mais ideia de onde tudo isso pode chegar... Por um momento tudo parece extremamente difícil e irritante... Por outro, é bastante convidativo a continuar. Mas o que me conforma é que não estou pronta para desistir, e até quando tudo parece difícil eu sempre penso que uma hora vai melhorar. E melhora... Parece até que eu não sei que a vida é cheia de altos e baixos. Eu só tenho catorze anos, mas às vezes parece que já perdi muito tempo com idiotices. Sempre que olho para o meu passado, tenha sido ele há uma década, alguns anos, ou há apenas algumas semanas esbarro com atos, pensamentos que me deixam de uma certa maneira embasbacada. Pensamentos aleatórios como: “Como fui idiota”, “Como era retardada”, “Como fiz isso”, “Como era infantil”, assola minha mente toda vez que paro para pensar sobre a vida.
 Fico pensando até quando isso vai, se eu vou ser assim para sempre. Uma onda constante de mudanças, eu me descobri capaz de mudar de maneira significante em apenas alguns dias. E daqui a alguns anos, quando eu olhar para trás o que eu vou achar de mim? Se eu me julgo tanto, as pessoas também me julgam assim? Essa seria uma questão a explorar se eu não estivesse num momento de tamanha indiferença em relação à opinião alheia. Relevo as opiniões sinceras ou as que foram pedidas. Pessoas só cheias de criticas e invejosas deveriam ser descartadas da vida de todos.

*A foto é minha.

Hoje eu estava pensando numa coisa, na vida como eu sempre penso, e saiu uma frase:
“Por que o mundo não é tão bonito, romântico e verdadeiro como as músicas... Ou será que gostamos tanto de viver numa hipocrisia?”

Lista de reprodução


 Hoje é quinta, amanhã vou tirar meu passaporte e viajar. As coisas estão uma bagunça por aqui, estou super desanimada com tudo, afim de jogar tudo para o ar, fim. Ontem comprei um monte de coisinhas o que envolve esmaltes incríveis de frascos lindinhos. Amanhã posto aqui sobre as minhas aquisições. 


 Enfim, acho que hoje se enquadra postagens express. Então vamos estrear uma PlayList semanal! Que tal? 

The Band Perry – If I Die Young É a nova sensação Country nos estados Unidos, já emplacaram essa música da BillBoard, e já tá em modo repeat na minha lista de reprodução. 

I was Born in the 90's - Mickey Gang  Já havia falado da banda aqui. Essa música é contagiante, não é atoa que esses brasileiros fizeram sucesso no gringo.

Trouble - NeverShoutNever Acho que sempre vai ter uma música do Chris na minha lista de reprodução.

So far way - Dire Straits Baixei essa música como sendo do Avanged Sevelfold. Acho que alguém se confundiu. Enfim, achei a banda. Ela faz o tipo de velho e bom rock. Adorei.

So far Way - Avanged Sevelfold Depois fui procurar a do Avanged mesmo, e é igualmente boa. 

Firework - Kate Perry Essa música é uma das mais contagiantes da minha Playlist. Kate Perry se tornou a Diva dessa minha 'fase'. Ela é inspiradora.

All Day - Cody Simpson Acho que dá para perceber que eu sou bem eclética em relação a música americana, ou gringa. Cody faz o tipo Justin Bieber, eu gosto. É engraçadinha.

Billionare - Trave McCoy Ft. Bruno Mars - É como disse Felipe Neto no twitter, é uma das melhores músicas de agora, com uma das piores letras. É boba. Quero acrescentar que aquele "plágio" com permissão que a Cláudia Leite fez não me agradou. É óbvio que não. Não gosto de Axé. haha'

A 10 ª música para você adicionar a minha Play. Diz ai qual música (ou músicas) anda fazendo sua cabeça.


Beijos, Rapha.





Se faça de boba, para desmascarar os bobos




Desculpe, mas eu não sabia que você amava. Ao menos havia tomado conhecimento que um coração batia ai por debaixo dessa casca grossa cheia armadilhas. E se tinha, pensava que era frio e duro como pedra.
 Seus olhos azuis, seu sorriso ensaiado fizeram efeito por muito tempo assolando meu coração com sonhos impossíveis, mas bastou uma noite para que tudo viesse a baixo. “Depois que você se faz de boba algumas centenas de vezes, aprende o que dá certo e o que não dá”, minha musa do rock estava inteiramente certa, menos em relação a você. Foi preciso apenas uma noite para curar a minha cegueira, a pior delas, a de quem não quer enxergar.
Tentei enxergar o que não existia, apostei todas minhas rifas em algo que de certa maneira eu sabia onde iria dar. Eu, com toda minha egolatria e mania de achar que minha impressão negativa sobre garotos é certa, acabo sempre me deixando levar por um olhar perdido inúmeras vezes na mesma íris.
 Apesar de achar que todos são iguais sendo diferentes, sou uma tola acreditando que posso muda-lo. O que acaba acontecendo são algumas semanas com o coração apertado ou pesado, o olhar cabisbaixo, um mundo sem cor, sem som, sem sentimento.
 Mas nunca nenhum garoto alcançou os patamares mais baixos daquilo que se considera coração, não deu tempo. E eu espero que algum garoto me desaponte um dia, provando que ele não se encaixa nas minhas predefinições do sexto oposto, por que ai eu saberei. O que é amar com o coração. Enquanto isso não acontece, vou me fazendo de boba, uma hora eu acerto.

Trazendo á tona: Segredos Marinhos II


Esse capitulo de hoje está fraquinho. Chato e não se parece com o capitulo anterior. Acho que nunca vou conseguir manter um texto sentimental e todo filosófico. Toda essa minha deficiência, adicionada a cólica igual a :texto ruim/Dia ruim.

Pra quem não leu, mas quer ler, Trazendo á tona: Segredos marinhos I






- Me dá! – Entrei vociferando no quarto de Sam. Ela me jogou a 3G por cima do ombro. Ia me esgueirando pela sua porta de volta ao meu quarto quando notei algo diferente.
- Aonde pensa que vai?  - Consultei o relógio no pulso, oito e quarenta da noite, fiquei ainda mais alarmada do que já havia ficado quando a vi espremida num vestidinho bandagem preto.
- Quem pensa que é? – Ela vestiu uma jaqueta de paetê prateada enquanto digitava alguma coisa no celular.
- Sua irmã e...
- Essa, - Ela me cortou, fazendo uma pausa para calçar os sapatos – foi uma pergunta inteiramente retórica, o que dispensa resposta. Como eu, alguém para cuidar de mim.
- Tudo bem. – Dei de ombros. Um carro buzinou lá fora, Sam saiu pulando pelos degraus da escada enquanto eu tinha certeza de que meu estômago estava fazendo o mesmo. Eu não fazia ideia de quem era o cara com que ela estava saindo, ou quem era a amiga dela que a estava esperando. Mas tinha certeza de que não queria ouvir aquela buzina novamente, a mesma que costumava tocar quase todos os dias nesse mesmo horário em frente de casa, ou depois da escola. E já tinham se passado três meses.

 Mal tinha conectado a internet no meu MacBook ganho de natal e uma mensagem instantânea de Kim havia subido no canto direito da tela.
KimM diz: Psiu! Na varanda, agora.
 Me arrastei até a porta a abrindo preguiçosamente, Kim estava debruçada sobre a grade do outro lado. Quando me viu e se inclinou toda para frente ficando na ponta dos pés.
- Por que não se conectou antes? – Indagou sussurrando.
- Por que não ligou? – Retruquei.
- Shii! – Kim me repreendeu e depois esticou o pescoço espiando dentro do quarto. – Por que não liga o celular?
-Ah, desculpe. – Franzi os lábios, dessa vez sussurrando, ao me lembrar de ter esquecido de recarregara-lo.
- Brian está aqui! – Ela parecia aflita. Arqueei as sobrancelhas involuntariamente denunciando o que estava pensando. Kim percebeu e semicerrou os olhos. – Nem pense! Não fizemos nada.
- Não disse que fizeram – Minha tentativa de parecer inocente a deixou irritada.
- Nem vamos! – Ela alterou o tom de voz, respirou pesadamente parecendo impaciente e apontou o dedo na minha direção. – ou você acha que eu te chamei aqui para assistir a tudo e depois me dar um ponto de vista?
 Arregalei os olhos ao pensar na possibilidade. Seria algo muito nojento, inconveniente e constrangedor. Para ambas as partes.
- Eu tenho que me livrar dele, mamãe e papai saíram. E eu não quero ficar aqui sozinha com ele no meu quarto, mesmo que não role nada!
 Eu vi uma sombra se projetar na cortina branca que cobria a porta da varanda de Kim, e depois Brian se esgueirar para fora silenciosamente, não achei que fosse parte de algum plano para pegar Kim de surpresa, seu semblante denunciava confusão, sua testa estava franzida.
- Kim? – Sua voz rouca pareceu estalar no curto silencio. Kim soltou um berro se espremendo contra a grade da sua sacada. Parecia que estava vendo Freddy Krueger e não Brian Doyle, seu namorado. Ela parecia a ponto de desfalecer. – O que? Mas o que é que...
 Brian ficou sem reação. Kim por sua vez o socou no peitoral, irritada.
- O que pensa que está fazendo? – Berrou, mas dessa vez sua voz estava tremula. – Quer me matar de susto ou qualquer coisa assim?
- Desculpe. – Ele ergue as mãos num sinal de paz. – Não foi minha intenção, ouvi você falando sozinha... – Então ele me percebeu do outro lado.
 Sua expressão passou de algo como assombro, confusão e qualquer sentimento que um cara possa ter quando sua namorada o soca por ter feito absolutamente nada, para olhos risonhos. Seus ombros desceram significativamente, o que significava que ele estava tenso.
-Ah, oi Julie. É você. – Então ele acenou para mim. O observei por alguns centésimos de segundos, e ele não parecia afim de fazer o que Kim achava que ele queria.
- Ah, então... – Eu falei qualquer coisa aleatória, para me livrar logo daquilo. Mas Kim, me fuzilou com o olhar e logo tratou de falar por mim.
- Vim lembrar a Julie que temos que fazer um trabalho de história, e que ele não pode esperar. – Suas palavras pousaram sobre os meus ombros pesadamente. Não tinha nenhum trabalho de historia. Era o que eu achava.

 Foi assim que terminei minha noite, enfiada num quarto fazendo um trabalho de história para daqui um mês. Enquanto Brian gargalhava assistindo a Two and a half men. Amanhã mais um corpo encheria as gavetas frias do necrotério, e não seria o meu.

Meu livro clichê (sério)


Esse é o primeiro capitúlo do meu "livro", que eu estou escrevendo com a minha amiga. A gente ainda está no sexto capitulo, mas um dia chegamos lá. Bem, clichê por que é sobre vampiros. E espero que ninguém leia com preconceito (haha). Escolhi o capitulo meio que aleatóriamente, e antes desse capitulo tem algo como um Epílogo. Ainda não tem nome, nós escrevemos ele desde o segundo semestre de 2009 e ainda não o terminamos.
Eu pretendo publica-lo num futuro próximo, não sei quanto a Thais. E se voltarmos a escreve-lo, talvez vamos começar a posta-lo frequentemente na comunidade do blog no Orkut.
 Espero que gostem (mas se não gostarem eu realmente entendo, não sou nenhuma J.K Rowlling nem nada assim) me digam o que acham!



Capitulo I -
 D
a janela do quarto eu observava as nuvens se formando vagarosamente sobre aquela cidadezinha insignificante. Enquanto o sol ainda brilhava sob a fonte de água no jardim espaçoso da mansão. Mas não por muito tempo, aos poucos a floresta que envolvia a mansão num circulo perfeito se agitava de acordo com o vento denunciando a costumeira chuva que procede a ventania.
 Uma bola de futebol veio em minha direção, e teria estraçalhado a vidraça da janela aberta se por puro reflexo não a tivesse agarrado no ar. Comprimi até todo ar que havia ali se esvair. O veneno queimou, eu podia sentir a cada bombear do sangue contaminado. Olhei para baixo a procura das pestes responsáveis, estavam perto do portão, à expressão de traquinagem e de assombro estampadas no rosto enquanto corriam. Automaticamente minhas pernas subiram o parapeito da janela e minhas presas afiadas se revelaram. Não era o tipo de coisa que costumava me irritar, mas naquele dia, um simples alterar de voz seria suficiente.
- São apenas crianças Anne. - Me virei rapidamente, pulando de volta. Sra. Williamson me encarava calmamente. Um vestido extravagante de um tom de azul profundo, até certo ponto vulgar, pendia em suas mãos sugestivamente.                                                                                                                                     
 Puxei as cortinas grossas e escuras, cobrindo a janela. Me sentei em no parapeito largo e coloquei os dedos nas têmporas, já antecipando a discussão.
- Anne é uma tradição milenar... - Ela comentou parecendo chateada com minha reação. E eu adoraria dizer que não estava ligando à mínima. Mas eu não disse, só pensei. Esse era o meu problema, me privar a pensamentos e não simplesmente pronuncia-los em voz alta.
- Dane-se a tradição, eu não sou banco de sangue. - cuspi rispidamente. Não sei por que, mas eu adorei a sensação de dizer aquilo, havia treinado a semana toda para pronunciar aquelas palavras a Sra. Willianson e havia saído mais perfeito que eu imaginava. - Ninguém me toca ninguém me usa.
 Essa última parte me pareceu extremamente profunda.
- Quem usa o que? - Trouble perguntou entrando no quarto. Era incrível sua capacidade de se intrometer nos momentos mais delicados. Talvez fosse algum instinto real.
Sra. Williamson lhe lançou um olhar critico. Estava estampado eu seus olhos a aversão a Trouble. Alias como sempre esteve.
- Onde estão seus modos garota? - perguntou ríspida. Era evidente sua vontade de enxota-la dali, mas não seria um ato sábio levando em conta que Trouble é da realeza.
- Sinto muito senhora. Devo os ter esquecido na cama - Trouble respondeu balançando seus espessos cílios loiros enquanto piscava.
Me contorci tentando  abafar uma risada. Sra. Williamson a ignorou e continuou dirigindo a palavra a mim.
- Pelo menos use o vestido Anne, não é pedir muito...
- Sra. Willianson, por que não me deixa convencê-la? Conversa de jovens, entende? - Trouble interrompeu de novo - Por que você não vai cuidar do... Bufe? - acrescentou tomando o vestido de suas mãos e a guiando para fora do quarto.
Sra. Williamson suspirou, me lançou um último olhar e saiu do quarto batendo a porta.
- Obrigada - comentei aliviada.
- De nada - Trouble respondeu estendendo o vestido sobre seu corpo delgado na frente do grande espelho que ficava na parede externa do closet. - Se importa se eu experimentar?
- Não, fique a vontade... - antes que terminasse minha concessão Trouble já se contorcia com o vestido já pela cintura.
O vestido lambia suas curvas de modelo. Eu tentei me imaginar vestida com aquilo. Minhas curvas bem mais acentuadas que as de Trouble com seu corpo magro, o tornaria tão vulgar quanto aparecer de Lingerie provocante em público. Balancei a cabeça, em um sinal que demonstrava enojamento.
-Pode ficar com ele, nunca usaria alguma coisa assim - Falei enquanto me jogava na cama, sobre alguns papeis que na verdade eu deveria estar lendo.
- Boa decisão. Ele com certeza fica melhor em mim. - Ela respondeu, eu simplesmente revirei os olhos. Trouble tinha um ego centenas de vezes maior que o meu. E eu não sei até que ponto aquilo seria um problema.
- Você ao menos vai aparecer? - ela perguntou enquanto se livrava do vestido, e já se enfiava em seu short justo.

- Acho que não. Não há nada que me interesse lá. – O desdém era obvio na minha voz, mas muito ao contrário de Sra.Willianson, Trouble parecia achar graça.
- Tem certeza? O príncipe vai estar lá - Ela acrescentou se juntando a mim na cama. A encarei, ela tentava manter a expressão séria, mas eu podia a ver explodindo de rir por dentro, eu havia aprendido a ler aqueles olhos, e era o mesmo que ler sua mente.
- Esse é o motivo principal. Já vão estar lá quase duzentas garotas morrendo de vontade de serem usadas. Uma a menos não vai fazer diferença. – E, pela primeira vez eu estava falando a verdade em relação aos meus motivos.
- Não se for a mais bonita de todas – Ela cantarolou se jogando sobre os cotovelos apoiados na cama, e piscando descaradamente para mim.
- Vá se danar Trouble! - Gritei a empurrando. Eu era do tipo que não media minha hostilidade. Nem com as amigas. Ou melhor, com a amiga. _ Você não é tão sexy sem seus cílios postiços...
- Eu vou estar te esperando – Trouble seguiu em direção à porta e antes que eu tivesse a chance de dizer algo, mas ainda a ouvi gargalhar a dizer algo como ”Oh, descobriu meu ponto fraco.”.
 Do que ela estava falando? Dos cílios? Por que isso nem era tão ruim, afinal, ela tinha cutucado meu ponto fraco. Ou ferida.
 Encarei o espaço onde antes ela ocupava, com ódio. Apesar de tudo ela sabia que eu não podia recusar. Por aquela vez, e por outras é claro, mas principalmente por essa, por essa razão. Por esse motivo.
Há quase 11 anos. Na época em que Manetto havia acabado de viajar, e as outras garotas não me deixavam em paz. Como nunca deixaram, com ou sem Manetto, sem Manetto as coisas na verdade só tomavam uma intensidade maior. E a cada dia tudo só piorava. Os insultos, as provocações. Até que finalmente elas tocaram na ferida. A ferida que ainda estava exposta, que exalava dúvidas sem respostas, sentimentos vagos, incompreensão e ódio.
- Por que você não vira uma meretriz de sangue como sua mãe? Assim você vai poder ficar com o rei para sempre!  - O pior não era escutar aquilo, era não ter certeza.
Eu me lembro de estar perto do bosque quando elas gritaram isso. Lembro da minha visão se tornando rubra como sangue fresco derramado de um inocente. Eu não podia me controlar, era muito mais forte que eu. Era um sentimento que eu não fazia questão de domar, elas mereciam senti-lo como eu, eu só não garantia que fosse do mesmo ângulo. Os dentes rangiam, minhas unhas estavam praticamente cravadas na palma da mão, ódio causando tremedeira, lágrimas que transbordavam por dentro, foi naquele dia que tenho a certeza de que cheguei o mais perto do sentimento de um assassino com bons motivo. Eu queria mais que tudo, naquele momento, causar terror aqueles seres tão insignificantes e com atos tão mesquinhos, e mesmo que eu quisesse evitar me conformei de que eu partilhava da mesma maldade que elas. Sendo, que a minha era justificável, elas estavam sendo garotas más me massacrando com palavras, meu massacre só partiria para um outro grau. Um que as marcaria do mesmo jeito, como elas me marcaram. Que as fariam se arrepender, como eu me arrependi de já não ter tomado aquela decisão, que as ensinariam a medir seus atos como me ensinaram a lidar com aquele tipo de pessoa. E antes que pudesse pensar em tomar outra decisão, mais sensata hoje injusta naquele dia o pescoço de uma daquelas três conheceu a minha ira. Antes, as unhas que marcaram minha carne se enroscavam em seu pescoço, minha outra mão livre havia virado uma máquina de socar. Eram golpes sujos, como o rosto golpeado, golpes baixos, como o caráter do rosto golpeado. E era ótimo fazer aquilo.
 Senti braços pressionando meus ombros, encarei aquela cena e aquilo me causou uma certa confusão. O que parecia apenas pressão sobre meus ombros, eram braços desesperados de uma vadia loira tentando me arrancar de cima de um corpo ensanguentado. Ela parecia estar fazendo um esforço sobre seus próprios limites. Acatei aquilo como um convite, quando mãos que vinham debaixo agarraram meus cabelos. Agarrei toda aquela cabeleira loira enquanto erguia a outra do chão, seus olhos ainda emanavam o mesmo ódio de quando me apunhalava com frases duras, mas também tinha o tal terror de que eu havia falado. Não houve minuto de decisão, minhas mãos se moveram num encontro violento, com choque. Dois corpos caíram sem vida no chão. Não parei para admirar o meu feito, eu havia feito duas cabeças se chocarem, como se eu quisesse fundi-las, não era o que eu chamaria de uma bela visão.
 Senti dessa vez uma verdadeira força me arrancar de cima daquela garota, não era uma simples pressão. Foi um movimento brusco, mas sem desespero. Aquelas mãos que haviam me arrastado não pareciam ansiosas por poupar vidas.
Leslie Cordelia Lorenzo.
Membro de uma das três grandes famílias. Membro da realeza. Naquele momento, um motivo aparente para uma sentença de morte, a qual a cabeça a rolar seria a minha.
- Acho que o show acabou. - Leslie falou rispidamente.
 Parei encarando minhas mãos. Não devo descreve-las, aquele dia havia sido macabro, cheio de horror, sentimentos que alimentavam meu coração escuro, frio e de pedra. Mas o arrependimento ainda não havia voltado. E nem a ânsia de partir mais um crânio. A outra, do trio, parecia uma estátua. Daquelas que agradariam a sadistas, maníacos ou o que seja. A expressão mais horrível que eu já havia visto. Com um terror autentico, com o silencio que havia seguido, eu podia ouvir seu coração batendo bem fraco. Não havia acelerado, havia ficado lento. E por um momento fiquei esperando que pudesse ver seus órgãos de tão sem cor que estava. Leslie havia a abraçado, curioso, e a acalmava.
- Está tudo bem agora. Suas amigas... – Ela parou para encarar o que havia eu havia feito – Não posso dizer que elas ficarão bem, por que não é verdade. Só acho que você deva ficar aqui. Quietinha. Não saia dai. Vai ser melhor para você.
 Sua voz doce era mais assustadora que se estivesse gritando. Ela parecia diabólica com aquela face angelical e sem demostrar preocupação desenfreada com o que havia ocorrido. Eu esperava talvez que ela começasse a berrar por ajuda, a chorar e a me ameaçar. Mas acho que emoção é para os fracos. Aquela garota era racional. Apesar que aquilo não mudava alguns fatos. Minha pele se arrepiou, até onde estava devidamente agasalhada. Algumas coisas começaram a fazer sentido, e agora eu queria abandonar aquela história de terror. Queria que fosse igual aos livros, que eu pudesse fecha-lo e escolher outro. Não estava arrependida, só havia começado a repensar nas consequências. Ou melhor, começar a pensar. Os resultados não haviam me interessado no momento dos meus atos, mas agora pareciam a base de tudo. Lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto, eu queria uma mãe e um pai. Para que pudesse tomar decisões por mim, que pudessem me mandar fazer as coisas, e resolve-las para mim. Para que pudessem me colocar de castigo quando eu fizesse algo errado. E que me abraçassem. Mas aquilo era impossível, e agora eu estava sozinha. Como sempre estive, só que estar sozinha ganhou uma nova e mais intensa ênfase. Num mundo onde não há tolerância, e que eu acabava de virar uma ovelha negra em meio lobos famintos.
- Muito bem garota. Você realmente deve ser muito idiota. Se elas te perturbam, por que ficar sozinha por ai? - ela perguntou. Minhas testa se franziu lentamente, minhas engrenagens finalmente começaram a trabalhar, começaram a processar informações. E suas palavras pareciam sobrecarregar todo meu sistema, por que não havia entendido. E eu realmente tinha motivos.
Eu acho que foi ali que tudo começou.
 Como uma criatura poderia ficar indiferente ao que estava acontecendo. Não que ela tenha ficado, por que ela não parecia ser tão sem coração como eu.  Ela só não começou a me esganar e a falar que eu estava morta, e que iria contar tudo para a Manetto. Ela começou pela parte mais simples da história. A parte mais insignificante em meio a toda aquela torrente de acontecimentos.
 Eu contei tudo a ela, eu praticamente desabei de informações. Contei, sem deixar escapar cada detalhe. Até sobre meus sentimentos. Ela ouviu, tudo que eu tinha a dizer. E a garota continuou onde estava, ainda com o esboço do terror no rosto. Ela, que teria se tornado meu maior pesadelo se Leslie não houvesse me assegurado de que nada havia acontecido naquele dia. E dessa vez, suas palavras foram bem processadas. Me senti suja, mas não arrependida. Pelo menos tinha algo a zelar, a memória da minha mãe, e ela fosse o que fosse ninguém poderia ficar acusando-a de ser Meretriz, e muito menos me massacrar com isso. Trouble sumiu com os corpos. Eu tinha sensação de que toda aquela historia de terror daria uma trégua, mas não por muito tempo.
Aprendi que ela era, literalmente, a encrenca em pessoa. Bonita como só um nobre poderia ser, com seu corpo esguio, seus olhos de um tom de azul quase fluorescente e seu cabelo extremamente loiro que era mantido em um severo corte Chanel. E bem, ela sabia fazer uso disso. E isso somado seu humor sarcástico e explosivo mais sua posição alta na sociedade formavam uma mistura que quase sempre acabava em confusão. Dai o apelido.
Trouble.
Nos últimos quatro anos eu havia tirado ela de todo tipo de situação problemática. E seu apelido tinha se tornado seu nome. Mesmo assim, eu continuava em divida.
 
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