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E daqui pra frente?

É quase fim do ano. E com ele vem vários outros fins. Alguns recebemos melhor, outros nem tanto. Recebo maravilhosamente o fim do meu Ensino Médio, mas com certo pesar. Como vai ser daqui pra frente? A fase de escola acabou, e agora? E os amigos, como faz pra não perder o contato?
Alguns questionamentos bobos, mas que já me fez passar algumas horas de sono em claro. Meu maior medo é como seguirá a vida daqui pra frente, sonho e realidade são coisas que nem sempre se dão as mãos. Então como fazer pro sonho se tornar realidade? Muito esforço com certeza, mas será que uma mente um tanto quanto infantil saída do Ensino Médio tem forças para lutar por um lugar á vista do mundo?
 Eis uma questão que arrebata consigo certos sentimentos. Alguns positivos outros nem tanto, um pensamento ameaçador quanto a se manter a ordem da mente. A busca pelo equilíbrio nesse momento é essencial  Respirar um pouco mais fundo, arquear os ombros e se por em marcha, mesmo que o caminho não esteja muito definido. Você tem que começar por alguma coisa quando não se sabe que rumo seguir na verdade, mas sabe-se que precisa estar em movimento. E seguir em frente é sempre adequado, quem sabe não se esbarra no estava a procura?


Estou de volta, espero continuar. Beijos.

A dor dos outros





Agora a moda é dramatiza os próprios sentimentos em formas de gifs no tumblr, ou imagens no face. Tudo bem, isso eu também sei fazer. Mas não significa nada. O exemplo mais clássico é que não é por que você vive sorrindo que está feliz. Não é por que só compartilho imagens felizes que esteja tudo bem. Não é por que ignoro textos tristes que me sinto feliz.
 As vezes vem um sentimento ruim do nada e me deprime. E sinceramente? Ainda não sei como me esquivar disso. Tenho sofrido picos de instabilidade no humor e isso tem me desregulado muito. Uma hora posso chegar a pifar. Não teria como manter a estabilidade?
 Não dá para aguentar todas essas mudanças repentinas, as vezes estou dolorida, outras vezes terrivelmente dormente, outras com grande euforia.
 Onde me regulo?

Se faz sol ou chuva


Melhor um sorriso em vão que uma lágrima sem motivo, um choro com sentido. Uma visão deturpada e manchada pela ardência salgada. O travesseiro pode ser um bom companheiro, abafa o grito, absorve a dor liquida, amortece a queda livre na realidade.
 As revira voltas da vida pode te deixar zonza, garota sente um pouco, respire. O fim ainda está longe, fora de vista. E lhe aguarda junto com mais um punhado de sentimentos remotos, aguardando para serem apanhados e aconchegados bem no coração. Não é como se fosse apenas chover amanhã, o sol irá brilhar. E brilhará para todos. Nuvens se desmancham com o vento, a escuridão não é para sempre. O sol, se esconde. Mas ainda assim você o sente.
 Erga a cabeça, sorria por dentro, se for para ser refletirá por fora. Nada de sorrisos falsos, eles mancham a alma. O esforço que se paga por ele é o mesmo para se investir em bons pensamentos, coisas felizes que valem a pena.
Por que se a vida for cheia de sol e chuva, veja pelo  lado bom. Você sempre terá a surpresa do arco-iris.

Disfarce o vazio



É muito difícil condensar os sentimentos em palavras que expressem o sentido perfeitamente. Eu poderia quase dizer que é impossível, mas essa palavra não existe no meu vocabulário. Não mais.
 Se eu pudesse conversar com meu antigo eu certamente que ele estaria desapontado, e muito surpreso. Talvez até aliviado. Mudar as vezes pode ser dolorido, sutil, divertido, confuso, passar despercebido. E o que você se tornou pode assustar até a si mesmo.
 Mas é que existem certos momentos em que somos praticamente empurrados, cuspidos e enxotados da nossa cúpula protetora. Certas coisas nos obrigam a isso.
 É muita coisa nos cercando, muita gente, muitas decisões, muitos 'eus' disputando o controle. Mas no final, se você quer saber o que impera é a solidão. Mesmo rodeado de tantas coisas o vazio não deixa de existir, só cresce.
 É um vazio cheio, e imenso. E então é ai que você encontra formas clandestinas de tapa-lo. Fazendo coisas que você sabe que são vistas de maneira muito errada. Mas só por que o gosto da adrenalina é doce e amargo, e infla. Mas é de certa maneira insaciável. O gosto que deixa na boca, depois que você descobre o seu outro eu, e passa a ser duas pessoas em um só. O fato de fugir de um mundo regrado, quebrando as regras.
 Saber que está fazendo exatamente ao contrário do que se espera. Pelo prazer de experimentar, pelo  prazer de se fazer tudo errado. Pelo prazer de olhar nos olhos de alguém e saber que ela não faz ideia do que você realmente é.

 Só você mesmo.

Sobre o sentimento de escrever


Existem algumas coisas na vida que simplesmente partem de dentro. Que vai fluindo, fluindo e precisa da válvula certa de escape. Gritar, chorar, escutar uma música triste, os amigos, ou... Escrever.

 Só que tem horas que emperra, e você não consegue fluir com a intensidade necessária. É frustante, e dolorido. Como se tivessem mil adagas perfurando a pele e você não pudesse se livrar delas. Mesmo se quisesse. Escrever me emociona, é como um rastro marcante de algo bom que você faz. Dá orgulho, paz...

 É uma maneira de se livrar do peso extra que carregamos. É libertador. E de verdade? Várias vezes me pego rabiscando um conto obscuro cercado de dramas. Me pego marcando a folha com as dores do dia, ou deixando nela as felicidades de um momento. É quase que intuitivo, e natural. Como um membro.

E não é preciso muita coisa, só o sentimento e a inspiração. Por que dá pra escrever na areia.



Ser singular


 Existe algum encanto intimo em ser diferente. Não sei se é ver as pessoas erguerem a sobrancelha em sinal de surpresa, ou limitar o número de amigos em resultado dessa estranheza.

 Ser imprevisível também tem seus encantos. Manipular as pessoas a julgamentos errôneos traz a sensação de controle sobre sua imagem. Talvez. Por que cultiva flores te julgarão frágil. Mas se escuta Deathmetal se inclinarão a ignorar que seja sentimental. Banalidades.

 Mas há sempre a emoção da mistura. Retalhos remendados na essência que não podem ser levados a formar uma mistura homogênea. Logo você não pode ser enquadrada. Logo você não pode ser totalmente conhecida. Logo será formada de surpresas. Descobriram, com o tempo, que a diversidade faz parte de você.

 Ser diferente é uma droga. Se encaixar em algum lugar se torna inimaginável, impossível, repulsivo. Ser singular se tornará um objetivo para uma vida toda, ou simplesmente é algo que faz parte de você. Que ocorre fácil, sem dificuldades, sem obstáculos. E você é assim, diferente. E só.

Não deixe oprimir



É como se a coisa funcionasse mais ou menos assim: Você passa a vida inteira ouvindo as pessoas dizerem, "Seja você mesmo, sempre", "Nunca tenha medo de dizer o que pensa", e quando então quando você é você mesmo, e diz o que pensa as pessoas simplesmente te oprimem.

"Ah, mas que estranho.", "Nossa, como você pode pensar assim?", "Nada a ver isso que você está falando.". Então você descobre, da pior maneira que não importa qual caminho você tome, quais decisões escolha, até se não se decidir por nada... Você sempre será alvo de julgamentos injustos, sempre estará errado. Até que você encontre as pessoas certas e para elas não faça diferença alguma, não passe de um detalhe a ser ignorado. Você com certeza não precisa de pessoas que tome suas ideias e opiniões como grande defeitos e irreparáveis. Elas são descartáveis, e desnecessárias para o rumo da sua vida. Ninguém precisa de pesos negativos nessa caminhada que já é difícil. Apenas os corte fora.

Não há como tudo ser justo também, nem sempre será bom. Mas é bom tentar equilibrar as coisas. Encontre seu jeito. Ignorar é a melhor maneira de se atingir alguém. Ninguém gosta de ser visto como um detalhe sem importância. Mas ninguém gosta também de se sentir oprimido por suas ideias. Você não tem que viver de máscara. Apenas ser o que é. Sem a intromissão de ninguém.

Aquele da mente engenhosa



 Eu tinha que abster dele. Mas uma enorme histeria assombrava-me quando tentava enxota-lo da minha vida. Fingia, mas continuava a me importar. O espiava de soslaio. Era fria e o magoava. E quando conseguia o afastar minimamente largava tudo e admitia sua posse sobre minha vida. Mesmo que o fizesse intimamente e em pensamento, apenas.

 Eu poderia suportar seu olhar por horas, afinal nunca exploraria completamente cada canto daqueles olhos cor de um ocre irresistível. Não conseguia entender minha própria fascinação por seus olhos. Mas tinha algo tão instigante quanto uma charada antiga quando ele fixava seu olhar. Quando suas pupilas se dilatavam ou se contraiam faziam isso de maneira única e sempre representavam algum significado. Ele falava pelos olhos. E eu tentava descifrar sua linguagem. Mas é claro que seria impossível, assim como impossível é seu temperamento.

 Era uma sintonia desconexa. Mas isso são apenas devaneio dos muitos que certamente virão. A verdade é que qualquer tipo de demonstração afetiva me enoja. E eu caia em contradição muito facilmente perto dele. Era uma armadilha por todos os lados, apontava em todas as direções. Impossível, mais uma vez. Eu o odiava tão intensamente quanto parecia amar. O odiava por despertar em mim sentimentos inéditos e o amava pelo mesmo motivo. Não é em todo canto que encontramos quem o faça desenterrar sentimentos com  um simples olhar, ou maneira de se portar.

 Mas um devaneio em vão. Ele me faz desperdiçar palavras, me faz desperdiçar pensamentos. Me gasta sorrisos involuntários. Minha possessividade se mostrava tão grande que me sentia inquieta por não saber quantos fios de cabelo ele tinha na cabeça, ou quantas vezes sorria ao dia. Queria saber cada minimo detalhe seu, queria entrar e seu amago e desvendar tudo, e queria imunidade. Imunidade contra seu efeito sobre minha mente e meu corpo.

 Não era se assustar que a ponta do grafiti se partisse quando meus dedos trêmulos tentavam, na maioria das vezes inutilmente, reproduzir em papel seus traços não perfeitos, mas ideais, no minimo ao meu ver. Mas talvez o que me impedisse o sucesso fosse que seus olhos atentos acompanhassem cada movimento meu. No final, ambos insatisfeitos com o resultado ficávamos em silencio. Eu não conseguia explicar por que desenhava qualquer outro rosto perfeitamente e o dele era apenas uma representação com traços sem firmeza, trabalho quase confundível com pintura infantil. Ele soltava um apenas um suspiro, e eu tomava o desenho de suas mãos e guardava junto aos muitos outros fracassados em minha pasta.

- Tudo bem, da próxima vez vai ficar bom. - E se retirava, até seu jeito de andar me irritava, era perfeitamente bem marcado. Tinha gingado.

 E ao deitar a cabeça mais uma vez no travesseiro, meus pensamentos só tinham um rumo. E eu odiava isso, cada dia mais. Por que eu também o amava. Cada vez mais. E eu não sei qual dos dois fazia mais pouco caso disso. Mas não sei se o pouco caso dele era fingimento, e isso me doía, mas não mais quanto me irritava. Eu não poderia suportar a sensação de um sentimento não correspondido. 

 Ele tinha uma mente engenhosa, e não vou economizar modéstias, eu também.

Por trás das notas e da melodia


 Eu estava numa conversa com um amigo meu e do nada ele me falou sobre o quanto achava ‘ridículo’ os garotos que escutavam a banda de rap Cone Crew por escutar, sem levar disso nenhuma ideia. Sem criar nenhum ideal. Como se a música dos caras fosse em vão.

 Me vi obrigada a concordar com ele e levar a conversa a um rumo mais a frente. A música que prevalece na minha vida é o rock. Seja o mais comercial, ao mais pesado. Mas para mim, depois que atingi uma certa maturidade, não se tratava só de curtir o som. Não se tratava só de um estilo musical. Mas de um estilo de vida a ser levado em diante.

 Na minha opinião, rock, rap e reagge (esses dois últimos eu simpatizo, apesar de não escutar) são os três estilos de músicas que são mais apenas que música. Mas ideais embutidos numa letra, numa melodia.
 O jovem é o amanhã e tudo hoje com que ele está envolvido vai definir seu caráter e sua maneira de pensar no futuro. E nós, praticamente respiramos música. Não seria possível que uma só frase revolucionária passasse em branco.

 Se existe um meio capaz de influenciar e mudar as coisas em massa, não deveria ser desperdiçado só com músicas sobre amor, dor de cotovelo e imoralidades. E a música tem esse poder, e deveria ser usada para isso. E deveria ser levada mais a sério. Não só para divertir, ou passar o tempo.
 Temos problemas reais, eles estão presentes. Não seria justo tratar a música como algo vago e distante da realidade.

 Vamos acordar e selecionar mais nossas músicas. Vamos acordar para um mundo de boas intenções presentes nas notas musicais. Captar a mensagem é importante. A mudança está ai, é só enxerga-la.

O incentivo vem de dentro



Todos os dias aprendemos algum punhado de coisas. Algumas pouco importantes, como o nome de algum doce que você sempre comia na infância. Outros que podem mudar o rumo da sua história.

 Há certas coisas que eu simplesmente não chamaria de ‘aprendizado’, não sei bem qual a definição mais correta. Há algumas coisas que vem de dentro, do nada, num momento de reflexão.

 Hoje eu cheguei à conclusão de que eu tenho que encontrar apoio para os meus sonhos primeiramente em mim. Pode parecer clichê. Mas eu me sinto mais importante quando eu penso que sou. Me sinto mais ‘bonita’ quando penso que sou. Me sinto mais esperta quando penso que sou. Quando eu acredito em mim me sinto mais confiante.

 Cheguei a beira de desistência de inúmeras coisas que levei anos construindo, diretamente ou indiretamente. Mas olha só, o tempo dos outros sempre parece mais curto que o nosso. Quando alguém diz ter alcançado algo depois de vinte anos lutando, nós vemos como um exemplo bonito, de persistência. Mas não estamos dispostos a pagar esse mesmo preço de maneira consciente pelos nossos sonhos.

 Depois de pequenos tombos, e muito tempo no chão esperando que alguém me levantasse, hoje eu aprendi que sou alguém realmente muito importante para servir de incentivo para mim mesma. Mas quem não pode?

 Deixar de ser o reflexo de algo já criado e refletir o que tem dentro de mim. Por que sou tão importante quanto quem já chegou lá, já alcançou seu principal sonho.

 Quando comecei a me olhar com outros olhos, aceitar meus defeitos, e perceber que tudo aquilo que eu endeusava e acreditava ser perfeito na verdade tinha tantos defeitos quanto eu. Sempre tem alguém que te admire, e talvez até te ache perfeito. Assim como você acha que ‘X’ é o modelo ideal dos seus sonhos.

 A questão é acreditar primeiro em você, para depois sim acreditar naquele sonho. 

Felicidade não tão longe da tristeza



Existe aquele sensação de que nada poderia estar melhor, que tudo anda tão bem e que poderia continuar para sempre. Mas sempre vem também a frustação. Alguma coisa que, não se encaixa no contexto da sua felicidade. Algo para desmanchar seu sorriso.
 Por muitas vezes me mantenho num sentimento de inercia. A vida vai sendo empurrada, sem grandes emoções, sem grandes medos, sem grandes felicidades que durem o suficiente para ser nomeada a melhor.
 Mas uma coisa que com certeza aprendi, apesar de ter demorado um pouco para entender. O risco de me sentir feliz, de me sentir bem só existe se antes eu me por a prova e correr o risco de me machucar. Há certas coisas que é impossível prever, há certas coisas que é impossível de evitar. Bem melhor se dar mal por tentar a felicidade, que atoa.
 Estar sempre em movimento, correndo, atrás, largando a inercia. Se ponto de movimento. Bons e maus sentimentos sempre estarão presentes, não tem como ter um sem o outro. Coisas oposta que quase se dão a mão. Mas que é preciso passar por cima. 

Paixonite pelo amigo



Antes da amizade vem a paixonite. A paixonite pelo futuro amigo. Quando você descobre que aquele desconhecido chato curte a mesma música que você e quer passar o intervalo inteiro entre as aulas conversando sobre isso. Que seus gostos por livros são parecidos que você quer fazer uma lista mental dos livros que ele tem pra pegar emprestado, e não desgruda. Ele é aquele do tumblr que sempre reblogava tudo de você e que você achava que estava tão distante, mas sentava na cadeira ao lado.

 Você está tão animado com a nova companhia que quer passar o dia inteiro ao lado dela, conversando e descobrindo cada vez mais as coisas em comum. Explorando o território desconhecido para descobrir que escondem os mesmos tesouros que você.

 A gente se apaixona pelo amigo primeiro, não desgruda, sente muito ciumes, quer descobrir em um dia o que seria para um mês, ou talvez um ano. Vivem em sincronia. Para cima e para baixo, as vezes até causando irritação em quem está ao lado. Por que todos somem, e a vontade de conhecer alguém tão parecido, ou nem tanto, mas tão agradável para você é tanta que, bem, não sei.

 Mas ai depois vem o amor, e você começa a amar. Não precisa estar junto todo o tempo, o ciumes passou, não há mais o risco de perda. Vocês já es acostumaram. Compartilham as mesmas coisas, há  cumplicidade.
 E se era pra ser amizade de verdade, passou daquela euforia instantânea para  algo mais concreto, como o amor. Por que amar o amigo é isso.

...



 Eu digitei a primeira frase. Mas não estava bom o bastante. Então, me afastei da mesa, comprimi as têmporas e forcei tudo que estava ali sem forma a tomar rumo de letra. Eu continue a teclar incessantemente sem nunca reler o que ficava para trás, fiz assim por um bom tempo. Com o tempo foi se esvaziando, até não restar mais nada. Espremi até a última gota, que escorreu como suor. De maneira que demonstre o quanto foi árduo o percurso.

Me pus a pensar então, em como eu poderia dar um julgamento verdadeiro a aquilo que havia escrito, então eu simplesmente vi. Que poderia não estar completo, ou não fazer muito sentido a outros olhos, mas era um reflexo da minha alma, com todas as marcas muito bem talhadas pelo tempo.

 Sorrisos e mais sorrisos se formaram, a cada linha, cada palavra, um suspiro a cada vírgula. Era assim que eu me sentia? Eu havia me esquecido, outras preocupações havia encobrido alguns dos meus sentimentos. Se eu pudesse me abraçaria, então primeiramente cumprimentei de maneira muito afetiva minhas palavras, depois me enrosquei nas minhas lembranças num abraço doce, uma pitada de amargura. Era a saudade também nos envolvendo.

 Tudo tem uma textura meio xadrez, por que mistura. Uma mistura gostosa de se ver, não pesa e faz sentido. As mais escura guardam pensamentos sombrios, é claro, as mais claras se enchem de suavidade. É uma mente embaralhada, são palavras desconexas. Eu me sinto confusa.

Eu me sinto com os sentimentos ligados. 

Coadjuvante



Talvez eu seja só coadjuvante de uma história principal. Talvez exista alguém na minha vida dono de uma historia mais emocionante.

 Foi o pensamento que me ocorreu, de repente, como um clarão. Sempre nos fazemos de achar que somos o principal, mas o principal de que? Sabe, que nem nos filmes? Tem sempre a história principal e emocionante, e as paralelas. Sem muita importância para o enredo principal.

 E se eu fizer parte dela? E se for assim, a minha historia, um complemento para algo mais grandioso. Ou talvez não. Talvez seja só aquela parte da historia que não aconteceu nada de interessante na historia. O mocinho com superpoderes ainda não chegou à cidade. Ou eu ainda não tenha sido mordida por um vampiro ou atingida por um raio.

 É talvez. Mas não quero me contentar como figurante. Vou dar um jeito de representar na minha historia algo mais substancial e importante. 

Nos olhos um reflexo do coração


A solução parece ter vindo no ímpeto do ato. Com medida certa de modéstia, a quantidade suficiente de sorrisos e o abraço quando necessário. Tentei me fazer distante, difícil te fazendo buscar nas situações mais loucas e indiferentes a prova de tal amor secreto.
 E não posso deixar que minha língua pecasse, não posso fingir, nem fugir. Eu sabia. Sempre sabemos, a não ser que seja muito bom nisso. O que geralmente não é. É quando se deixam levar por olhares calorosos, ou simplesmente pela frustação de serem ignorados. Já é dolorosamente tarde para voltar.
 Mas o que afirmo é que não é preciso um estudo á fundo dos seus olhos. A analise não dura mais de segundos.
Consigo ver o ciúme saltando pelas suas íris, seu olhar desviado ligeiro, o sobressalto de ter o sentimento revelado. Tão bobo, às vezes iludido. Desculpe, não consegue se conter. Desculpe, mas todos temos que admitir. Que sua paixão, quando ocorre, o que é muito raro é como todos aqueles corações que você um dia feriu. É difícil conseguir romper as fibras que envolvem seu coração, mas quando o conseguem, o que quase sempre ocorre involuntariamente, é para valer.
 Não pode nos culpar, temos que dobrar todas as barreiras, armar-nos de ironia, sarcasmo. Criar armadilhas, e minar todo o caminho até o nosso coração. Não podemos nos dar o luxo de tornar uma amizade um amor mutuo, quando sabemos que existe um coração que pulso por nós não podemos nos deixar levar. É quase como um ciclo sem fim.
 Eu posso ver em seus olhos, pode parecer confuso e repetitivo, mas não existe nada mais que entregue o que se passa na sua mente que seus olhos. Seu rosto, as expressões vincadas. Semblantes tão marcados de sentimentos que não se pode ignorar.
 Mas não se pode amar sem fazer estragos não é? Não se pode ser amado sem deixar estrados não é?

Sapatos são como o amor, aprenda a usá-los e não terá machucados quando tirá-los.


*Texto produzido originalmente para o blog Querida Ramone

Auto-destruição necessária


É difícil manchar o branco com palavras que cheguem fazer algum sentido. Atormentador as palavras se fazerem de difíceis quando eu mais preciso que elas se formem. Nem as notas doces de uma música conseguem fazer fluir o que era para ser liquido e se transformou em uma rocha dolorosamente sólida.

Meu espaço livre acabou dando inicio a uma torrente de erros, um sistema em pane. A falha se tornou grosseira e brutal, estragos irreparáveis que abrem sulcos cada vez mais profundos. Cavando incessantemente dentro de mim, tentando alcançar algo a que estou totalmente alheia.

 Há algo dentro de mim me corroendo, algo que eu alimento a cada dia. Que tem se tornado maior que eu, se recusando a ir embora com um simples pedido. Me enfraquecendo, e quando eu já não puder mais lutar irá consumir aquilo que se transformou numa rocha para se livrar da insanidade, meu coração. Que sustenta toda minha essência, ainda intocada.

 E em todos esses anos, com aquela crosta espessa se formando em á minha volta eu já deveria saber, que tempos ruins viriam. Onde palavras doces representavam punhaladas, e as amargas queriam apenas me dar alguma amostra de realidade.

 Eu não tenho antidoto para combater aquilo que se alastra, e que me corrói. Eu deixei a mercê, e me tranquei sem me prevenir contra mim mesma. Não posso romper minhas próprias barreiras, minha casca se mantem intacta. Como se tudo ocorresse muito bem, ninguém vê, ninguém repara. E tudo desaba quando me percebo sozinha.

A distancia a ser vencida para que o controle sobre mim seja retomado é a de um abismo. Não posso oferecer um ataque justo para minha face intocada, seria muito doloroso, demorado, cansativo... É claustrofóbico e apavorante estar presa dentro de si mesma. Como um quarto escuro que recebe lampejos do que haveria para enxergar de bom lá fora.

E chega a hora em que tenho que deixar de lado o medo, e tomar coragem para destruir a mim mesma. Como uma implosão. Destruindo tudo que há em mim, varrendo pensamentos ruins, lembranças que doem, sentimentos esmagadores, experiências má sucedidas, lágrimas que nunca chegaram a rolar, palavras impedidas na garganta. Algumas coisas boas irão. Mas o meu melhor está a salvo.

É chegada a hora.

 E tudo foi aos ares. Com uma chuva de fogos vibrantes seguido de uma poeira dispersa de negatividade. Eu estava livre, a crosta envolvendo meu coração fora amolecida e o que havia melhor em mim corria pelas veias. O lápis deslizou pela folha branca, poemas foram escritos, músicas compostas.

Eu estava bem novamente.

 Ás vezes aquela proteção sólida e impenetrável que você alimenta em volta de si, bloqueando coisas boas de irem e chegarem, se trate apenas de uma proteção. Basta você torna-la algo bom ou ruim para si mesma.

 *Texto produzido originalmente para o blog Querida Ramone


Pra que juízo final?



E ás vezes eu me pergunto se eu aguentaria ou se seria mesmo necessário um juízo final. Com vários dedos apontados para mim, com tantos julgamentos injustos e severos, me pergunto se seria realmente necessário mais um. Já que as pessoas á nossa volta se sentem tão dignas e donas da verdade para nos dizer certas ou erradas.

 Na verdade, creio que não há julgamento que considere o ‘réu’ certo. Alguém já parou para te julgar quando fez alguma ação boa? Quando conseguiu êxito em algo? E mesmo que tenha, sempre encontram algo mais que deveria ser feito, um lado negativo. Especulações e mais especulações.

Os senhores e senhoras donos da ‘perfeição’ tem me julgado a vida toda. E não é assim também com você?
 Metida. É o que escuto por ser tímida. Quantas e quantas vezes. Eu tenho bloqueio a certas ‘pessoas’ e certas ‘ocasiões’. É como se não conseguisse ser eu mesma, fico calada, na minha. Mas tento sorrir. Eu SOU assim. Tento ser legal com as pessoas, fazer as coisas por que gosto. Não sou do tipo que vai te conhecer pela primeira vez e vai dizer: ‘Não fui com a cara de fulana’. Não tenho senso afiado de falsidade. Podemos dizer que sou a ‘bobona’. Mas fazer o que?

 Se você é gentil com alguém, ou faz algum favor é idiota e logo todos acham que podem ‘abusar’ de você. E então você deixa, deixa que pensem que é a garotinha boba. Até você leva as pessoas a se decepcionarem, por que não é bem assim que as coisas funcionam.

 E você, bem... Você tem que dar um basta. Tem aquele momento que não dá mais, não por que você não aguenta mais. Mas por que PENSAM e APONTAM que você é o tipo maleável, fácil de subestimar. E você tem que mostrar para alguém que as coisas não são bem assim. Que nem tudo gira de um só lado.

 E que aquela garota de voz mansa e essência, vamos dizer amável. Pode alterar a voz, xingar palavras feias e defender seus ideais. Então, presta atenção antes de apontar esse seu dedão ai! Por que uma gatinha pode se transformar numa leoa.

Colecionadora



 Pegue uma imagem. Uma imagem qualquer, que te lembre coisas bonitas, ou nem tanto. Que te faça sentir um âmbito incontrolável para escrever. Digite as palavras no espaço branco de acordo com o que sente, de acordo com o que aquela imagem te faz lembrar. Descreva todos seus sonhos estrelados, suas viagens por outras galáxias.
 Faça das palavras o condensar dos seus sonhos, dos mais profundos, mais distantes, mais difusos, confusos e irreais. Elas podem, não como deveriam, mas nos livra de explodir ideias loucas que no fundo fazem sentido, sonhos líquidos.
 Eu sonhava em colecionar as estrelas, coloca-las todas no bolso e sumir. Um dia desses o fiz, catei uma por uma e joguei num potinho. Carrego para todo canto, ou elas me acompanham por todo canto. Mas só brilham á noite. Naquela cúpula infinita a que chamam de céu. Todos deveriam saber, mas ele é meu. E as estrelas também. E cada grão de areia a beira do mar. Cada flor, cada sorriso, abraços e sentimentos condensados. Eu coleciono coisas bonitas.

E palavras também. 

É sua escolha



 Eu me lembro como se fosse ontem. Ou foi ontem mesmo? Não me lembro. Quer dizer, se foi ontem. Ainda vivo em misto de confusão e euforia. Algo meio contagiante anda inebriando meus sentidos. Algo que antes se escondia pelos cantos mais escuros de mim, e que vivia me apunhalando as cegas, que dilacerava minha alma. Foi totalmente vencido por um sentimento ofuscante, que acabou com as sombras existentes em mim mesma. Um único pensamento feliz venceu o inimigo que se abrigava e se alimentava em mim.
Para ele foi demais. Depois daquele pensamento positivo, muitos outros vieram. Iluminando tudo aqui por dentro como fogos de artificio, coloridos e vibrantes. Vieram com estouros, fazendo barulho e despertando minhas sensações mais... Não sei.
 Entrei em um total estado de triunfo. Não posso conter toda minha alegria, ela dilacerou toda a negatividade, a expulsou. A cuspiu para fora de mim, como o terrível intruso que era. Que deu inicio a tudo isso foi eu. E é nisso que aposto. Que tudo o que acontece na minha mente, tem um certo inicio no que eu deixo acontecer.
Você pode achar que tudo anda conspirando contra você, sua felicidade e paz de espirito. Pode achar que há inimigos. Eles podem existir, mas ficam sem poder se você deixa-los tomar conta dos seus bons sentimentos. É. 

Coffee & Cia


 Esse texto não foi revisado. CUIDADO!


Está tudo girando fora da órbita, no sistema errado. Falta gravidade para me manter no chão, falta céu para eu me manter nas nuvens. A lógica perdeu o sentido, anda a vagar por becos não iluminados pela mente murmurando versos de amor. Versos de amor enlouquecidos, cheios de dor e desesperança. Não tem lógica. Está em falta.
O tempo tem preço do lado de fora, e está com pressa. Não consigo me agarrar a uma causa que me desabasteça de tanto tédio. Vultos é o que restou de mentes desgastadas, não consigo acompanhar. Vem e vão tão apressadamente, qual o relógio que move suas vidas?
 Está tudo ficando tão pálido. Meu coração pesa como chumbo dentro de mim, rancor acumulado? Mas eu me livrei há tanto tempo. Talvez tenha sido um pingo de gravidade, estou voltando ao chão. Me desagarrando do nada, soprando tão lentamente o que já é, eu vou caindo por mim.
 Onde está o cinto de segurança? A vida passa por uma turbulência, e talvez tenhamos caído numa ilha. Eu não consigo sentir, é ofuscante, quente e úmido. Mas não sinto grãos de areia finos por baixo dos pés. Na verdade, algo os apeta. Meus dedos reprimidos numa forma pequena de sapato. Onde bolhas já antigas estão por contar histórias.
 Percebo tudo embaçado como um dia de chuva, riscos vermelhos num fundo branco. Luzes incandescentes piscando por todo lado, borrando e ofuscando minha visão. Entrando em foco, aos poucos, bem lentamente, como os pensamentos densos que embaralharam meu cérebro. Letras ainda difusas, mas começam por fim a fazer algum sentido. Coffee & CIA?
 Como uma seringa perfurando a veia do braço, foram os sons entrando confusamente numa cabeça desorientada. Onde a loucura parece tão correta, e a lógica é uma fugitiva. Onde coisas que pulsam e se auto mutilam são reis de uma hierarquia de idiotices erradas.
- Mais alguma coisa senhorita? – Um vapor quente me desperta de um mar enervado de sentimentos.
 Ergo os olhos de dentro da minha mente, para o bule com a substancia quente que vinha me mantendo acordada desde manhã. Cafeína tinha sido a droga dos meus problemas. Ergui a mão tomando o bule do garçom.
- Vou ficar com isso. – Acolhi o bule nos braços como uma criança. Talvez minha lógica estivesse mesmo em falta. Ou talvez eu nunca tenha tomado uma dose dela.
- Mais alguma coisa? – O cara que tinha voz rouca perguntou pausadamente.
- Não... – Ia ficar tudo bem, tudo tranquilo. Eu ia terminar de tomar meu café, ou talvez mais alguns bules. Iria para casa, tudo ficaria bem. Dentro da minha realidade. Mas eu tinha necessidade de enlouquecer a mente alheia, de compartilhar aquelas ideias sem fundamento, e sem fonte alguma de raciocínio. – Talvez, talvez se você pudesse me oferecer um punhado de sentido. Um cobertor de conforto, algumas gotas de raciocínio. Se pudesse inundar minha mente de lógica. Entorpecer meu corpo, que há meses está dolorido. E arrancar fora... – Espalmei a mãe sobre meu peito, sentindo meu coração pulsar no seu melhor ritmo estando dilacerado. – Isso...
Completei. Deixei meu olhar se perder além da vidraça que vinha sendo chicoteada pela chuva de verão desde o meio dia. Talvez eu devesse arrumar também uma solução para calar minha boca. Eu ainda matinha a jarra quente perto do peito, era um calor superficial. Mas aconchegante.
 Eu ouvi a cadeira a minha frente ser arrastada pelo chão de madeira.
- Nós não temos nenhuma dessas opções no cardápio. – Sua voz soava tão suave. A rouquidão era tão aconchegante para os ouvidos.
-Talvez eu devesse procurar um lugar mais adequado... – Continuava a encarar lá fora, aqueles letreiros de neon colorido me davam certo êxtase.  
- Também acho. Mas eu só conheço um lugar. – Aquelas palavras me pegaram de sobressalto. Já há muito as pessoas não tinham mais paciência para ouvir e compartilhar comigo essas tolices sem fim. Quanto mais entrar no jogo.
 Escorreguei a jarra pela mesa, e parei para encarar seus olhos. Procurar algum vestígio de graça ou zomba. Mas me afoguei. Eu um mar tão agitado e cinzento. Acho que estava passando por momentos frios e agitados. Estava em meio uma tempestade. Ele pestanejou para mim.
- E qual lugar seria esse?
- Alguém cuja da boca saem palavras tão expressivas deveria conhecer muito bem o que procura.
-Prefiro me manter ignorante quanto a isso. Talvez seja melhor deixar tudo como está, as coisas devem se arrumar sozinhas.
- Uma garota tão bonita quanto você não deveria cultivar uma personalidade leiga nos cantos da alma. Pega mal.
 Não pude deixar se sorrir, que tipo de flerte é aquele?
- Gosta de ser forçada a fazer alguma coisa? – Não era o tipo de pergunta que costumavam me fazer.
- Obviamente que não. Você gosta? – Refleti a ele sua pergunta.
- Obviamente que não. Por isso que me forcei a tomar uma decisão antes que o que eu cultivava dentro de mim atingisse pessoas importantes. É como uma bomba biológica, só eu sabia qual o fio certo a cortar.
“Ficar remoendo aquilo, me lamentando só acelerava meu tempo. E no final não adiantou de nada, todo aquele sofrimento. Procurei todas as minhas necessidades dentro de mim. Consegui suprir minhas próprias necessidades. Eu tinha o que precisava o tempo todo e não sabia. Descobri sozinho, e agora tem alguém de dando a direção para saída. Devo presumir que deva ser uma garota masoquista se não aceitar isso como uma ajuda. É melhor, conselho.”
 Ele se levantou, empurrando a cadeira. Nicholas era o que estava escrito no seu broche de identificação. Me joguei para fora da cadeira. Como se tivesse acordado de um longo sono.
- Nicholas! – Chamei com certa urgência na voz. Dei alguns passos cambaleantes em sua direção e entrelacei meus braços em sua cintura.
- Obrigada. – Sussurrei contra seu uniforme. Por um momento pensei se aquele havia sido um ato de extrema intimidade. Mas ele me abraçou de volta.
 De repente eu sentia de novo, conseguia perceber e enxergar. Havia uma certa claridade na minha mente. E uma urgência de ser feliz.
 Só cheguei em casa depois das duas. Estava ajudando Nicholas, - que na verdade era Luke e estava usando o uniforme do colega por que um cliente havia derramado chocolate quente em sua camisa mais deco. – a limpar a loja.
 Foi a primeira vez em anos que deitei a cabeça no travesseiro sem pensar em mais nada. Só dormi aquela noite. 

Raphaele Caixeta anda tentando fazer sentido com coisas sem lógica, e confusas. 
 
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